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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

outras madrugadas.


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"Pedacinhos de noite, polvilhados com as luzes do dia.
É a madrugada confusa.
Para alguns, tarde.
Para outros, muito cedo.
Opostos de vida".
Mel Fronkcoviak.


O que são madrugadas senão o quase despertar, o quase amanhecer..
Na noite, não sinto a mão que percorre o corpo, não sinto a pele que arrepia.
Não vejo a luz e a sombra, não vislumbro sequer o clarão do trovão.
Na escuridão desta noite somente pressinto..
Na escuridão desta noite, somente  o gemido..
O lençol frio, o vento que invade a cama sem cerimônia pela porta aberta.
Invade o corpo e a alma.
No peso do sono, que não vem, relevo o que nada me é dado, o que do nada me é tomado.

O que são as madrugadas senão o descansar do pensar, do sentir , do leve torpor da morte que vive em nós..
Na janela aberta o frescor da quase manhã me abraça, o silêncio da ausência me encanta.
Percorro o olhar desperto e atento ao redor, e vejo pontos de vida já cedo, já iluminados pela manhã que se aproxima..
O lençol frio, vai aquecer-se ao sol, a sombra dissipar-se-á rapidamente sem trovões, e a escuridão da noite vai levar com ela o gemido..


Quando a manhã chegar, a mão acostumou-se à pele, o sono passou ao largo..
O silêncio já ensurdece o pensamento, que gira e retoma o caminho da ausência.
E assim muitas manhãs, muitas madrugadas, se perpetuarão em tempo e emoções,que somente o sonho tem a audácia de desvendar...

Que venham...

Ing




Este post é parte integrante do projeto "Caderno de Notas" - Segunda Edição,sob o tema "quero outra manhã depois desta madrugada"... do qual participam as autoras Ana Claudia Marques,  Luciana Nepomuceno,  Lunna GuedesTatiana KielbermannThelma Ramalho e a convidada Mariana Gouveia