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"Pedacinhos de noite, polvilhados com as luzes do dia.
É a madrugada confusa.
Para alguns, tarde.
Para outros, muito cedo.
Opostos de vida".
Mel Fronkcoviak.
O que são madrugadas senão o quase
despertar, o quase amanhecer..
Na noite, não sinto a mão que percorre o
corpo, não sinto a pele que arrepia.
Não vejo a luz e a sombra, não vislumbro
sequer o clarão do trovão.
Na escuridão desta noite somente pressinto..
Na escuridão desta noite, somente o gemido..
O lençol frio, o vento que invade a cama
sem cerimônia pela porta aberta.
Invade o corpo e a alma.
No peso do sono, que não vem, relevo o que
nada me é dado, o que do nada me é tomado.
O que são as madrugadas senão o descansar
do pensar, do sentir , do leve torpor da morte que vive em nós..
Na janela aberta o frescor da quase manhã
me abraça, o silêncio da ausência me encanta.
Percorro o olhar desperto e atento ao
redor, e vejo pontos de vida já cedo, já iluminados pela manhã que se aproxima..
O lençol frio, vai aquecer-se ao sol, a
sombra dissipar-se-á rapidamente sem trovões, e a escuridão da noite vai levar
com ela o gemido..
Quando a manhã chegar, a mão acostumou-se à
pele, o sono passou ao largo..
O silêncio já ensurdece o pensamento, que
gira e retoma o caminho da ausência.
E assim muitas manhãs, muitas madrugadas,
se perpetuarão em tempo e emoções,que somente o sonho tem a audácia de
desvendar...
Que venham...
Ing
