sexta-feira, 15 de setembro de 2017

As horas estão escritas num futuro impossível.

Imagem de Fuzarca pela Internet
Olá,

Poderia escrever por horas a fio - ler e reler.
Poderia contar as letras que passaram e as que ainda virão.
Mas hoje - precisamente hoje - as palavras me fogem!

Foram tantas as reviravoltas, tanto que deixei para trás em busca do impossível...
Não que me tenha iludido, absolutamente!
Fiz caminhos e caminhadas plenos e felizes. Aprendizados que jamais teria em outro tempo.

Vejo-me simplesmente em horas sobre escritas, sob sentimentos únicos.
Desenhei imagens, corrigi roteiros, alimentei vontades.
Mas nada disso me fez melhor ou mais importante.

Saudade? Não. Melancolia? Não.
Apenas a constatação de que tudo pode crescer e morrer em um tempo inalcançável.
Um aprendizado que jamais vai voltar e que - sinceramente? Não quero de volta.
Ou era ali ou não mais.

Enfim meu caro, como disse - fogem-me as palavras!
E até escrevi demais, tentando expressar o que vai no íntimo de uma alma, que não será lida, sequer tocada...

Sigamos juntos em um futuro impossível, onde as horas estão e estarão escritas em papel virgem - doce deleite de desejos...
Onde jamais cruzaremos o tempo que teima em não virar a meia-noite...

Até um dia!

Ing


Projeto Missivas de Setembro - Scenarium Plural
Créditos na imagem.






segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada.



Caro R.

Escrevo sob a luz morna que tenta aquecer meus pensamentos nesta noite fria.
Uma mariposa teima em voar e pousar nos papéis que refletem a luz dos meus pensamentos.

Minhas emoções sempre tolheram os desejos simples que a vida me propôs. A busca eterna do que não existiria, um ardor que transborda e queima a alma.

Lembro-me do primeiro dia – as emoções intensas -  quando tudo começou. Tantas incertezas e medos flutuavam no ar leve. Os pensamentos iam até onde o olhar alcançava pela janela fechada.

As palavras já não precisavam ser ditas – tudo ao redor dizia claramente a que viemos.
Lembro-me bem do cheiro doce com que tudo era perfume, e inebriada, me deixei levar pelo aprendizado suave, pelas tuas mãos que percorriam a pele...

A música sussurrava aos ouvidos os passos que percorreríamos por algumas horas. Nada era tão firme quanto tuas mãos. Nada era tão leve quanto meus passos.

Era Setembro - justamente o mês onde tudo desabrocha, e nos deixa na intensidade das cores.
Era fim de tarde - o momento certo que flui para findar um dia inteiro.

O que veio depois, foi a paz que tudo aquilo sugeria.
E hoje o desejo me leva a escrever e me perder nas palavras que aqui vais ler.

O que verias agora, é uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada.
Mãos que teimam em deixar as emoções continuarem a existir. Calor que nada aquece e passos que já não se deixam levar.

Quem sabe um dia tuas mãos voltem a tocar a pele e a levar o corpo à luz do entardecer...

Carinho.

I.


Projeto Missivas de Setembro - Scenarium Plural
Créditos na imagem.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Um dia qualquer.

Desconheço autoria


São Paulo... em um dia de sol qualquer - reflexão.


No dia a dia, a vida... Vem e vão sensações, os desejos, as crises e as alegrias.
Vejo pelas ruas sob o sol tantas vidas - histórias...  E sombras.
Mesas solitárias acompanhadas de almas e corpos, conversando um silêncio de copos ou pratos... Únicos...

Olho ao lado, e vejo somente a luz que esconde no ofuscar o brilho e escuridão de um pensamento.
Olhares tão objetivos, amores brigados, beijos sem calor, palavras sem gesto, geladas - no copo suado da breve passagem.
Lugar cheio de odores que remetem ao que está por vir.
É um avental lívido, um copo rubro, passos lentos e pesados que vem e vão...  
Uma urgência calma, de vida à espera do surpreendente... 
E que o calor retorne, atiçando o fogo às veias, aos poros...

Espera... 
Inútil ou melancólica...

São apenas escritos de um momento...
De uma ansiedade ofegante, talvez entorpecida.
Dias, que são luz e sombra. Apenas as cores mudam, alternan-se...
E o que dizer da pele - fria e imutável - me recobrindo e nada mais...

Enfim, é só o que posso escrever neste dia que finda e que me angustia, pois outros batem à porta...
São apenas letras, palavras...
Nada mais...

Em um dia qualquer.

Ing






quinta-feira, 15 de junho de 2017

Na pele meu crepúsculo.

Internet - Luso Poemas

Sinto no findar do dia
o caminho e a direção da luz.
Um céu incendiado iluminando a pele branca 
como se uma pequena tocha estivesse ao redor...

Parada, sinto a brisa leve que as nuvens desenham...
Imagem romântica que o sonho e o tempo apagaram.

Vejo que a vida se esvai
e o sombrear da noite se aproxima...
Adivinho novos sonhos
costurando a emoção do despertar.

Ing

sábado, 20 de maio de 2017

Me toca.


Óleo sobre tela - Consales Rodrigues


Na pele fina e carente
preciso de calor..
sentir teu amor
e me fazer derreter!..

Precisava do teu toque
do teu cheiro
precisava da pele em cor!..

Me toca!..
me faz agitar
me faz gritar..
me deixa sem ar!..

Me vira do avesso
faz de mim teu desejo..
tua fantasia, teu anseio!..

Me toca!..
minha pele pede
o corpo grita
o sangue transborda!..

E na pele, colore ..
na alma marca..
Me toca!..

Ing

domingo, 22 de maio de 2016

A minha luz.

Internet - Animati


Nua - sigo sem palavras
buscando onde me perdi...
Em becos... em abandono?
busco sons - gritos...

Busco luz e levo somente
as mãos...
Trilha escura - pés descalços
que devora e entontece.
Um querer inútil...

Ing

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Para viver.

Internet - Fusarca 7


Um dia que sinto - são imagens perdidas
horas de longos devaneios
sem sentido - talvez interiorizados
na escolha do que levar adiante...

Meu tempo passa - leva-me muito
do desejo, da leveza...

Decidir - seguir apenas na luz...
Voltar - olhar a melancolia...
Idos prazeres que coleciono
à mão cheia - em lágrimas...

Ah, se a vida entendesse...
e deixasse por terra toda dor...

Ing

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Antologia Casa da Poesia

Pois é amigos, o nosso querido Renato, que foi recentemente agraciado com uma cadeira na Academia de Letras do Brasil, nos presenteou com esta bela Antologia...

Inesquecível!
Eternizados momentos.
Palavras agora somente para agradecer!

Desfrutem...

Forte abraço!

http://www.youblisher.com/p/1273805-Antologia-Poetica-da-Casa-da-Poesia-2015/

domingo, 11 de outubro de 2015

Breve cântico de arrepio.


Deixa que teu desejo te leve
que o pudor se vá!
Domina tua sede e abre tua pele
na vergonha do sentir...
Te abandona...

Baixa o olhar e segue...

Não olha para trás
não grita tua angústia...
Escorre pelos dedos teu suor
de sangue - dor!
Te entrega...

Baixa o olhar e segue...

Leva contigo tua alma
tua dor - teu castigo!
Mata tua sede
de sangue e pele...
Segue!

Ing

sábado, 26 de setembro de 2015

Para pele e escuridão.

                                                                                   Imagem Internet - pintura a óleo de Consales Rodrigues - Mulher

Percorres a pele que escorre pelos - sem apelo
cada curva sinuosa insinua e chama...
Tua vontade - se entrega nas pontas dos dedos...

Um olhar jogado em cabelos escondidos
mostra a nuca contorcida - ansiosa
onde a marca de dentes arranca a veia vermelha...

Um rosto escondido - disforme?
Sim. Na nudez sem pudor de linhas,
no som de arranhar das unhas longas...

Ventre curvado - sugado
lambido e colorido
queimado sem o fogo do gemido...

Basta... Chegaste ao final da pele!
Último toque de poro e unha
de grito engasgado - sem dor...

Ing.