Minha boca - pedaço
de ti - grita em agonia,
e a tua memória
corre - desgarrada..
Em um outro dia qualquer, sem medida
como delicadeza de orvalho, o teu amor se vai...
Vejo-me em uma
distância - longa e dolorida - onde nada
cabe,
onde eu te poderia
abraçar com mãos de leveza e lágrima.
Ah, se eu pudesse estar, como ventania, arrastando tua
carne
sem delicadeza, sem resistência...
Seriam segredos rasgando a pele, na inconstância do
encontro
no atrito de desejos, intransferíveis - talvez acidentais.
Mas apenas temos um denso e intenso improvável,
onde um fogo crepita ainda – por acidente – presente.
E para além dos passos da saudade
tudo se distancia de mim – inerte – em uma manhã além do
olhar.
E virão Invernos de embriaguez, de beijos sussurrados
de telas nuas – a exibirem-se ao encontro não consumado.
Tenho ainda um coração inocente – teimoso
soterrado em silêncio, no próprio mundo do absurdo
onde rabisquei
teus desejos de momentos eternos
na espera da
calmaria da dor...
Ing
Publicado originalmente em Retratos da Alma
http://retratosdaalma.com.br